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Renda Fixa: a Base de uma Carteira Estruturada

Enquanto o Ibovespa sobe, a taxa Selic segue em patamar historicamente elevado e a renda fixa continua sendo a base da carteira da maior parte dos investidores no Brasil.
Imagem: Freepik.

Apesar de toda a atenção estar voltada para a Bolsa, depois de uma alta de mais de 34% em 2025 e novos recordes já em 2026, este talvez seja justamente o momento de o investidor de alta renda lembrar da importância que a renda fixa tem dentro de uma estratégia de investimentos.

Enquanto o Ibovespa sobe, a taxa Selic segue em patamar historicamente elevado e a renda fixa continua sendo a base da carteira da maior parte dos investidores no Brasil.

A combinação de Bolsa forte com juros ainda altos cria uma sensação de “medo de ficar de fora” da renda variável, mas, na prática, quem já viu alguns ciclos sabe que é justamente em momentos assim que a disciplina de alocação faz diferença.

Em 2025, o Ibovespa avançou cerca de 34%, registrando a maior alta anual em quase uma década, e segue renovando recordes em 2026, impulsionado por fluxo estrangeiro e expectativa de cortes futuros de juros.

Ao mesmo tempo, o mercado projeta cortes na Selic para este ano, com uma taxa terminal próxima de 12% para 2026. O que mantém as taxas de renda fixa em níveis historicamente elevados em termos reais. 

Para o investidor de alta renda, isso significa a chance de travar retornos expressivos com risco relativamente controlado, usando a renda fixa como “coluna vertebral” do portfólio, enquanto renda variável e alternativos ocupam um papel satélite de geração adicional de retorno.

Pesquisas recentes com investidores de alta renda mostram que cerca de metade do patrimônio permanece alocada em renda fixa, em busca de segurança, previsibilidade e carrego de juros. Existe uma fase na qual o investidor começa a se preocupar mais com proteger do que com multiplicar o patrimônio construído.

Isso não significa renunciar à Bolsa, mas reconhecer que, com juros altos, o “piso” de retorno da carteira vem da renda fixa, enquanto a renda variável assume o papel de motor de crescimento de longo prazo, com volatilidade naturalmente maior.

Em termos de eficiência de portfólio, uma boa base em títulos pós-fixados, prefixados e indexados à inflação tende a melhorar o índice de Sharpe da carteira, suavizando oscilações e deixando espaço para que o investidor assuma risco onde realmente faz sentido para seus objetivos.​

Chegando a este ponto, cabe lembrar como funciona a marcação a mercado na renda fixa.

Todo dia, o mercado decide a qual taxa de juros está disposto a emprestar dinheiro ao governo em cada prazo; se essa taxa muda, o preço do seu título muda também.

Se a taxa de mercado cai, o título antigo, que paga uma taxa maior, fica mais valioso; se a taxa sobe, o título antigo, que paga uma taxa menor, perde valor no curto prazo.

Esse ajuste diário do preço para refletir a nova taxa pedida pelo mercado é o que se chama de marcação a mercado.​

Para quem entra em renda fixa apenas pensando em “deixar até o vencimento”, essa volatilidade pode surpreender; para quem entende o mecanismo, a marcação a mercado é justamente a porta de entrada para capturar ganhos relevantes em um ciclo de queda de juros.​​

Prefixado, IPCA+ e pós-fixado: papéis complementares

Nos títulos prefixados, a taxa nominal é conhecida na largada, por exemplo, 13% ao ano até o vencimento. Se, daqui a alguns anos, o mercado passar a aceitar emprestar ao governo para o mesmo prazo a 9% ao ano, o seu título, que paga 13%, fica muito mais atrativo, e o preço sobe, gerando um ganho adicional se você decidir vender antes do vencimento.​

Já nos títulos IPCA+, o investidor trava uma taxa real, acima da inflação, como IPCA + 7% ao ano, protegendo o poder de compra do patrimônio. Quando o cenário melhora e os juros caem, parte dessa queda vem da inflação esperada e parte da taxa real; em geral, a taxa real cai menos que a nominal, mas, se o recuo for consistente, o IPCA+ também pode entregar um salto de preço relevante.​​

Seguem exemplos para visualizar o efeito

Imagine um Tesouro Prefixado 2037 que hoje rende 13,67% ao ano; em um cenário de melhora macroeconômica, se, no futuro, a taxa para esse mesmo prazo cair para 9%, o preço do título (PU) poderia ir, por exemplo, de 818,84 para 1.081,98, gerando um ganho em torno de 32% apenas pela marcação a mercado, além do juro contratado.

Em valores, um aporte de 100 mil reais poderia se transformar em algo próximo de 132 mil reais nesse período, antes mesmo de considerar o efeito do reinvestimento de cupons, se houver.​

No caso de um Tesouro IPCA+ 2040, se a taxa real recuar de IPCA + 7,25% para IPCA + 4% ao ano, o PU poderia subir de 1.676,55 para 2.612,65, o que representa um ganho próximo de 55% em preço.

Traduzindo: 100 mil reais aplicados poderiam virar algo em torno de 155 mil reais nesse horizonte, apenas pela mudança de taxa, sem contar a correção pela inflação ao longo do caminho.​

Mesmo com uma queda de taxa real menor que a queda nominal do prefixado, o IPCA+ longo rende mais em preço porque é mais sensível a mudanças de juros, como será explicado a seguir.

Duration: por que alguns títulos “mexem” tanto

A duration é, em linhas gerais, o “prazo médio” em que o investidor recebe o dinheiro de volta, ponderado pelos fluxos de caixa do título. Quanto maior a duration, mais sensível é o título à variação de juros; quanto menor, menos o preço oscila quando as taxas mudam.​

Um IPCA+ 2040 sem cupom, por exemplo, tem duration em torno de 14 anos, porque praticamente todo o retorno vem concentrado lá na frente, o que aumenta a sensibilidade do valor presente a qualquer mudança de taxa.

Já um prefixado 2037 com cupom tem duration próxima de 6 anos, pois o investidor recebe juros ao longo do caminho, encurtando esse “prazo médio” e reduzindo a volatilidade de preço.

Quando o cenário não ajuda: o outro lado da moeda

Todo esse potencial de ganho em um ciclo de queda de juros vem acompanhado do risco simétrico: se, em vez de cair, os juros subirem, o movimento de preço se inverte. Em um contexto de dívida pública elevada, incerteza fiscal e risco político, o mercado pode exigir taxas ainda mais altas para financiar o governo, pressionando especialmente os títulos mais longos.​

Nessa situação, prefixados de longo prazo tendem a cair forte de preço, e IPCA+ longos também sofrem bastante, porque a taxa real precisa subir para compensar o risco percebido.

A marcação a mercado funciona, assim, como um “amplificador”: acelera muito o ganho quando o cenário é favorável, mas também aumenta a dor quando o movimento é na direção contrária, o que reforça a importância de calibrar a duração ao perfil de risco e horizonte de investimento.​​

Como equilibrar a alocação de renda fixa e variável

Diante de um cenário em que a Bolsa já entregou forte valorização recente e continua com potencial, enquanto os juros seguem altos mas com viés de queda, o ponto central não é escolher “100% Bolsa” ou “100% renda fixa”, e sim desenhar um portfólio coerente com objetivos, horizonte e capacidade de assumir risco.

Para muitos investidores de alta renda, faz sentido manter entre metade e dois terços do patrimônio em renda fixa (combinando pós-fixados, prefixados e IPCA+) e destinar o restante a renda variável, alternativos e ativos internacionais.

A parte em pós-fixados (Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI, letras de crédito) atua como reserva de liquidez e estabilizador da carteira. Sobre essa base, uma parcela em prefixados e IPCA+ longos permite se posicionar para capturar o fechamento da curva de juros, enquanto a renda variável, escolhida com critério, permanece como vetor de crescimento de capital no longo prazo, sem precisar ser a única fonte de retorno atrativo.

Mesmo em um momento em que “só se fala de Bolsa”, a renda fixa segue cumprindo o papel de protagonista silenciosa na construção de patrimônio, especialmente para quem já acumulou capital e quer que o risco seja uma escolha consciente, e não um acidente de percurso.

Se você quer saber como montar uma carteira de investimentos alinhada aos seus objetivos, agende gratuitamente uma reunião com um dos nossos consultores.

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