Se você acompanha de perto o noticiário econômico, com certeza percebeu a ascensão quase ininterrupta das ações americanas nos últimos anos.
Talvez até sinta um certo FOMO (medo de ficar de fora da festa) ao olhar para os gráficos do S&P 500 e do Nasdaq.
Mas antes de decidir sobre novos aportes, especialmente agora, vale uma análise mais fria: será que este ainda é o momento certo para aumentar sua exposição?
Ou já existe uma assimetria menos favorável entre risco e retorno?
Indicador “Warren Buffet”
O Indicador “Warren Buffet” que compara a capitalização total do mercado acionário americano com o PIB do país atingiu patamares históricos em 2025, oscilando entre 215% e 220%, muito acima da média de longo prazo de cerca de 85% e superando até o pico da bolha da internet em 2000, quando chegou a aproximadamente 190%.
Buffett já alertou que níveis próximos a 200% significam “brincar com fogo”, sugerindo que o mercado está muito caro em relação ao tamanho real da economia.
Com base em análises históricas desse indicador, a expectativa prospectiva de retorno anualizado para quem investe hoje na bolsa americana é bastante modesta.
Estudos apontam retornos projetados entre 0% e 2% ao ano nos próximos 8 a 10 anos, caso o indicador reverta à sua média histórica de 100%.
Então, vamos conversar sobre o assunto de forma sincera, como fazemos nas nossas reuniões internas com consultores e clientes.
Alta da Ações Americanas
O S&P 500 e o Nasdaq, os principais índices do mercado americano, acumulam fortes altas desde o final de 2022.
O S&P 500 já saltou mais de 60% desde o lançamento do ChatGPT, impulsionado principalmente pela euforia em torno da Inteligência Artificial (IA) e sua promessa de revolucionar todos os setores da economia.
Mas nem tudo são flores.
Olhando sob a superfície, a maior parte desse desempenho veio de um grupo restrito de empresas. As chamadas “Big Techs”, ou, mais recentemente, “The Magnificent Seven”.
Nomes como Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet (Google), Amazon, Meta e Broadcom hoje concentram quase 40% do valor do S&P 500.
É como se, num campeonato de futebol, apenas um pequeno grupo de jogadores mudasse todo o placar do campeonato.
O restante das companhias do índice teve performances bem mais modestas ou até negativas.
Talvez você se pergunte:
“isso é bom ou ruim para mim?”
Depende do seu ângulo.
Risco do S&P500
O que podemos verificar é que o risco do índice ficou mais concentrado. Se essas companhias tropeçarem, o impacto nos índices seria direto.
Atualmente a relevância desse pequeno grupo reside, principalmente, nos resultados sólidos, nas altas taxas de crescimento apresentadas e na expectativa de um crescimento futuro bastante expressivo.
Contudo, é fundamental monitorar os volumes crescentes de Capex (despesas de capital) que estão sendo investidos, especialmente por companhias com forte atuação em inteligência artificial e computação em nuvem.
Quando falamos em CAPEX, estamos falando do dinheiro investido em estrutura física e de TI: data centers, supercomputadores, chips avançados.
Para você, investidor, é como ver uma empresa “plantando” sua próxima safra, apostando que a colheita será abundante no futuro.
Só que, neste caso, o plantio é bilionário, e ainda não se sabe se a safra dará o retorno esperado, ou seja não está claro se as empresas irão conseguir entregar no futuro um ROIC (retorno sobre capital investido) que remunere adequadamente esse enorme volume de investimentos.
Margem de Segurança
A intensa valorização do mercado americano nos últimos anos gera um dilema: quanto mais os ativos sobem, menor é a margem de segurança para absorver eventuais crises.
Isso significa que o custo da expectativa positiva se eleva e, consequentemente, o risco de um cenário negativo também aumenta.
Desse modo, o mercado já começa a questionar a possibilidade de estarmos em uma bolha de IA, especialmente ao considerar os múltiplos atuais, que estão significativamente acima das médias históricas.
O Nasdaq, por exemplo, é negociado atualmente a quase 30 vezes os lucros futuros. Investidores com mais tempo de experiência no mercado de ações se recordam do estouro da bolha das empresas .com em 2000, época em que o descompasso entre preço e lucro parecia inofensivo… até deixar de ser.
Outro aspecto crucial reside na incerteza do Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC) destas companhias.
Embora invistam somas bilionárias em pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura, a questão central é se os lucros projetados no futuro serão suficientes para justificar um investimento de tal magnitude.
Se, por qualquer razão, a tecnologia demorar mais para se provar lucrativa, a decepção pode ser brusca.
Afinal, prometer inovação constante é fácil; transformar isso em retornos sustentáveis e consistentes, nem tanto.
É Melhor Sair do Mercado Agora?
Se você leu até aqui e pensa “Então é melhor ficar fora?”, calma.
A verdade é que, mesmo diante dos riscos atuais, tanto S&P 500 quanto Nasdaq continuam sendo referências globais de qualidade, liquidez e inovação.
Empresas sediadas nos Estados Unidos lideram setores inteiros justamente por estarem à frente em tecnologia e modelos de negócio, e o mercado americano oferece proteção institucional e cambial, além de um ambiente muito propício para a inovação e novos negócios.
Montar um portfólio diversificado é como montar um time de futebol com jogadores de diferentes posições e estilos: você diminui sua dependência de um só “craque”, aproveita oportunidades em várias frentes e não fica refém do cenário local.
Investir em ações dos EUA, hoje, proporciona exposição a diferentes moedas, geografias e setores. Isso confere resiliência à carteira e atenua a volatilidade no longo prazo, um benefício especialmente relevante para quem reside (ou investe) em economias emergentes como o Brasil.
Mas e o timing?
Neste momento, os prêmios pelo risco na Bolsa americana parecem mais baixos do que em outros momentos do ciclo.
O “upside” em caso de sucesso parece mais limitado, enquanto o espaço para quedas (caso o cenário se deteriore) cresceu.
Isso não significa zerar sua exposição, longe disso!
Mas talvez seja hora de dosar os aportes: rebalancear, diversificar, olhar opções globais fora do núcleo das Big Techs, buscar setores menos saturados ou geograficamente não tão atrelados ao hype de IA.
Em resumo: seja exigente. Analise múltiplos, fonte de lucros, ROIC futuro e diversifique.
O conselho primordial é manter ativos globais no portfólio, mesmo diante de riscos pontuais.
A diversificação internacional é crucial, pois confere solidez ao patrimônio ao mitigar riscos específicos (cambiais, políticos ou setoriais) e, mais importante, ao proporcionar acesso a oportunidades inexistentes no mercado doméstico.
Não se trata de uma simples “moda”, mas sim de uma estratégia de robustez.
Siga buscando conhecimento. No fim das contas, o melhor investimento é aquele feito com consciência, clareza de riscos e visão de ciclo longo.
Para verificar se o seu portfólio está adequadamente diversificado e alinhado ao seu perfil de investidor, agende agora uma avaliação gratuita da sua carteira.






