Imagina que hoje você estivesse montando sua carteira de ações do zero.
Você quer algo que faça sentido no Brasil real: juros que sobem e descem o tempo todo, crises recorrentes, eleições, ruído político… apesar disso tudo, um plano que funcione no longo prazo, sem exigir que você vire trader ou acompanhe o home broker o dia inteiro.
É justamente aí que entra a lógica de ter uma carteira predominantemente formada por empresas de dividendos, complementada com uma fatia menor (algo entre 20% e 30%) em empresas de valor e crescimento.
Deixa eu te explicar por quê.
Quando se olha o mercado brasileiro em janelas mais longas, uma coisa fica clara: a estratégia baseada em dividendos tende a ser mais eficiente e mais consistente do que simplesmente comprar “a Bolsa” via Ibovespa ou se expor a small caps a qualquer preço.
O IDIV, que é o índice de dividendos da B3, reúne justamente as empresas que mais se destacam na distribuição de proventos ao longo do tempo. Não é uma lista aleatória: para entrar ali, a empresa precisa ter:
- histórico de pagamentos recorrentes;
- dividend yield elevado;
- boa liquidez em Bolsa.
Na prática, é um filtro de qualidade focado em fluxo de caixa estável, setores mais perenes (como utilities, energia, serviços financeiros) e empresas que já geram bastante caixa e conseguem remunerar o acionista com regularidade.
Vamos para os fatos.
Nos últimos 5 anos (janeiro de 2021 a janeiro de 2026), se você tivesse investido R$ 1.000,00 em cada um desses índices com reinvestimento de dividendos, hoje você teria:
- IDIV: R$ 1.696,90 (+69,69%)
- CDI: R$ 1.682,60 (+68,26%)
- IFIX (imobiliário): R$ 1.323,80 (+32,38%)
- Ibovespa: R$ 1.362,80 (+36,28%)
- Small Caps (SMLL): R$ 830,30 (−16,97%)
Repara bem nesse ponto: o IDIV entregou praticamente o mesmo resultado do CDI, mas com a possibilidade de crescimento de capital além dos proventos. Enquanto isso, o SMLL ficou negativo e o Ibovespa ficou bem atrás.
Agora, quando você expande o horizonte para 10 anos (janeiro de 2016 a janeiro de 2026), a diferença fica ainda mais gritante:
- IDIV: R$ 5.810,00 (+481,00%)
- CDI: R$ 2.444,10 (+144,41%)
- Ibovespa: R$ 3.843,60 (+284,36%)
- SMLL: R$ 2.852,10 (+185,21%)
- IFIX: R$ 2.714,80 (+171,48%)

Fonte: Investidor10
Viu a diferença? Em uma década, o IDIV entregou mais que o dobro do CDI, superou o Ibovespa em quase 2 vezes e deixou o SMLL para trás.
Quando você reinveste sistematicamente os dividendos durante a acumulação, o efeito de juros compostos começa a funcionar de verdade. Não é mágica. É matemática.
Outro levantamento, desta vez do Bank of America, mostra que a estratégia de dividendos do IDIV superou o Ibovespa em 9 dos últimos 13 anos, além de ter vencido o índice de small caps e até taxas de renda fixa de curto prazo em boa parte desse período.
O que isso sugere?
- Em horizontes curtos (menos de 3 anos), o resultado em ações é muito mais aleatório: um ciclo de alta de juros, uma crise pontual ou um evento político podem inverter o ranking de performance rapidamente.
- Já no longo prazo, a combinação de empresas resilientes + proventos recorrentes + reinvestimento dos dividendos tende a construir um resultado superior, com menor necessidade de adivinhação de curto prazo.
Não é opinião. São dados.
E você pode se questionar, por que a estratégia de dividendos funciona tão bem aqui?
No Brasil, diferente de alguns outros mercados, a realidade é:
- juros historicamente altos;
- volatilidade macro e política elevada;
- presença relevante de setores regulados e intensivos em capital (energia, saneamento, bancos, commodities) com forte geração de caixa.
Esses setores, que têm peso importante no IDIV, costumam:
- sofrer menos em crises do que empresas altamente cíclicas ou puramente de crescimento;
- gerar caixa mesmo em cenários mais desafiadores;
- manter ou até elevar a distribuição de dividendos em momentos em que outras empresas estão cortando investimentos ou queimando caixa.
Se o horizonte de investimento é realmente de longo prazo, faz muito mais sentido:
- Ter a maior parte da carteira de ações em empresas de dividendos, de preferência compradas a preços descontados (via múltiplos ou fluxo de caixa descontado – DCF).
- Intensificar os aportes justamente quando o mercado está pessimista, os preços caem e os valuations ficam mais atrativos.
- Reinvestir sistematicamente os dividendos durante a fase de acumulação de patrimônio.
Esse reinvestimento é o que acelera a bola de neve: você recebe proventos, compra mais ações com desconto e, no ciclo seguinte, recebe mais proventos sobre uma base maior.
Por outro lado, em momentos de euforia a postura mais racional é desacelerar os aportes, ser mais seletivo, e, se fizer sentido para o seu plano, usar esse período para rebalancear, reduzindo exposição em ativos esticados e reforçando proteções em renda fixa ou em ativos descorrelacionados.
Apesar de privilegiar o posicionamento em empresas de dividendos, não é necessário ignorar empresas de valor e crescimento na sua estratégia.
Elas são importantes para:
- capturar ganhos de reprecificação (quando o mercado corrige um ativo que estava largado);
- participar de histórias de expansão de lucro acima da média;
- potencializar o retorno total da carteira em ciclos favoráveis.
A diferença é de peso e proporcionalidade.Na filosofia que aplicamos de modo geral na consultoria, a relação ideal costuma ser algo como:
- 70% em empresas de dividendos, com histórico consistente de geração de caixa, payout saudável e balanço robusto;
- 30% em empresas de valor e crescimento, onde há assimetria interessante, mas também maior incerteza.
Esse equilíbrio permite que a carteira tenha uma base mais defensiva e previsível, sustentada por dividendos; mas não abra mão das oportunidades de crescimento estrutural.
É importante lembrar: renda variável não deve ser “a sua carteira”. Ela deve ser uma parte dela.
O restante precisa ser construído com:
- renda fixa (pré, pós, inflação) ajustada ao ciclo de juros;
- ativos no exterior, que ajudam a diluir o risco Brasil e a capturar oportunidades em outras geografias;
- ativos alternativos, quando fizer sentido
O “quanto” alocar em cada classe não tem receita pronta.
Depende de seus objetivos como investidor (acumulação, geração de renda, preservação, sucessão); seu momento de vida (quem está iniciando acumulação tem espaço maior para volatilidade; quem está se aproximando da aposentadoria precisa proteger mais); e, principalmente, do seu grau de aversão ao risco.
O erro clássico é copiar a carteira de alguém com perfil, patrimônio e horizonte completamente diferentes dos seus.
Dentro da consultoria do Guiainvest, a filosofia de investimentos dando prioridade a empresas de dividendos sem abrir mão de empresas de crescimento se materializa em um book de ações chamado Synergy.
O objetivo do Synergy é justamente encontrar um equilíbrio entre ações de dividendos (cerca de 70%) e ações de valor e crescimento (cerca de 30%).
O resultado é um portfólio que busca se beneficiar do que o Brasil tem de melhor em termos de geração de caixa e pagamento de dividendos, mas ainda assim com espaço para histórias de crescimento que podem destravar valor ao longo do tempo.
Se o seu horizonte com ações é inferior a três anos, a verdade é dura, mas precisa ser dita: o resultado vai depender muito mais de sorte de ciclo do que de estratégia.
Agora, se você está pensando em 10, 15, 20 anos, os dados são claros:
no Brasil, faz mais sentido construir uma carteira de ações onde empresas de dividendos têm papel central, reforçada por uma parcela menor em empresas de valor e crescimento, compradas com disciplina de preço, e inseridas em uma alocação global e diversificada, que respeite seus objetivos e seu perfil de risco.
Se você quiser entender como isso se encaixa na sua situação específica, agende uma reunião gratuita para conversar com um dos nossos consultores.
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