Tem empresa que aparece na carteira, vai bem, vai muito bem, e de repente você olha para o extrato e percebe que ela cresceu tanto que tomou conta de tudo.
Se você está posicionado em PRIO há alguns anos, esse pode ser o cenário que você provavelmente está vivendo agora. E é justamente por isso que vale a pena parar, respirar e fazer uma leitura honesta do momento.
Deixa eu te contar onde estamos.
A PRIO é, hoje, uma das maiores produtoras independentes de petróleo do Brasil.
O modelo de negócio dela é diferente das grandes petroleiras: em vez de sair explorando fronteiras desconhecidas, a empresa compra campos maduros que outros abandonaram e os redesenvolve com eficiência, tecnologia e gestão agressiva de custos.
Parece simples, mas exige uma competência técnica enorme. E a PRIO provou, ano após ano, que sabe muito bem o que está fazendo.
O maior movimento recente foi a consolidação do campo de Peregrino.
Após adquirir 40% de participação em dezembro de 2024 e fechar a compra dos outros 40% e da operação do campo em novembro de 2025, a PRIO passou a operar o ativo com 80% de participação.
Isso transformou a escala da empresa: em dezembro de 2025, a produção chegou a 155,8 mil barris por dia, um novo piso operacional para a companhia.
O quarto trimestre de 2025 foi operacionalmente muito forte. A produção saltou 46% na comparação com o 4T24, e as vendas cresceram 53% no mesmo período, refletindo a consolidação plena de Peregrino.
A receita total do trimestre atingiu aproximadamente US$ 642 milhões, alta de 20% frente ao mesmo período do ano anterior, e isso aconteceu mesmo com o preço médio do Brent caindo 15% no período.
O EBITDA ajustado do trimestre ficou em US$ 341 milhões, 6% acima do 4T24. No acumulado de 2025, a receita foi de US$ 2,5 bilhões e o EBITDA ajustado chegou a US$ 1,4 bilhão.
Um detalhe importante sobre o lifting cost (custo de extração): após um 3T25 distorcido pela interdição temporária do FPSO Peregrino pela ANP, o custo unitário de extração caiu 28% na comparação trimestral, encerrando em US$ 12,5/barril no 4T25.
Com a entrada em operação de Wahoo (campo que adiciona volume incremental sobre infraestrutura já existente, com custo marginal baixo) a tendência é que o lifting cost convirja para a faixa de US$ 7 a US$ 8/barril ao longo de 2026. Esse é um dos maiores catalisadores de margem que a empresa tem à frente.
A certificação de reservas, publicada com data-base de janeiro de 2026, trouxe outro dado positivo: as reservas provadas (1P) ficaram em 757,3 milhões de barris, praticamente estáveis frente ao ano anterior.
Impressionante para uma empresa que produziu e vendeu volumes recordes ao longo de 2025.
Quando se incluem os recursos contingentes (1C), o total sobe para 919 milhões de barris.
Nos últimos meses, o petróleo voltou a dominar os noticiários.
O Brent saiu de patamares ao redor de US$ 60/barril em 2025 para acima de US$ 90/barril no início de março de 2026, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio.
Esse movimento macro ajudou a puxar toda a cadeia de produtoras de petróleo, e a PRIO surfou essa onda com força.
Nos últimos três meses, as ações da PRIO3 subiram cerca de 49%.
Aqui está, porém, o ponto que todo investidor precisa ter clareza: a alta do petróleo é temporária ou estrutural?
Essa pergunta não é retórica, ela muda completamente o fluxo de caixa futuro da empresa e, portanto, o preço justo das ações.
Agências como a EIA e bancos globais ainda trabalham com estimativas médias ao redor de US$ 60/barril para 2026, o que sugere que parte da alta recente pode ser um prêmio de risco geopolítico.
E prêmios de risco evaporam quando o cenário muda. Um eventual cessar-fogo ou distensão na região poderia pressionar o preço do barril para baixo com velocidade.
Vale deixar claro: mesmo com o Brent em US$ 60/barril, a PRIO já é uma máquina de geração de caixa, dado seu custo de extração historicamente baixo e o portfólio de ativos de qualidade.
Com o barril acima de US$ 80, ela se torna ainda mais rentável, mas esse ganho incremental é cíclico e sensível a fatores externos que nenhum modelo captura com precisão.
O que fazer agora com PRIO3?
Vou ser direto, que é como gosto de conversar com vocês.
Ao preço atual de R$ 60,00 por ação, a PRIO não oferece a margem de segurança que exigimos para recomendar novos aportes com tranquilidade.
O papel já precifica boa parte da tese: crescimento de produção com Wahoo, queda do lifting cost, desalavancagem progressiva e melhora de margens em Peregrino. Não está caro, mas não está barato o suficiente para quem ainda não entrou.
Para quem já está posicionado há anos, a leitura é outra, mais confortável. A posição deve ser mantida. A tese segue intacta, e o potencial de criação de valor no médio e longo prazo é real.
Nas nossas projeções, o EBITDA de 2026 pode se aproximar de R$ 13,8 bilhões, o que colocaria a empresa negociando a menos de 4x EV/EBITDA, desconto relevante frente ao próprio histórico da companhia caso a empresa consiga atingir o crescimento esperado do EBITDA.
Mas tem um ponto de gestão de risco que precisa ser dito: depois de uma alta de quase 50% em três meses, é muito provável que PRIO3 já represente um percentual da carteira maior do que o planejado originalmente.
E carteira desbalanceada é risco concentrado, independentemente de quão boa seja a empresa. Por isso, uma venda parcial é não apenas razoável, como recomendável.
Não para sair da tese, mas para realizar parte do lucro acumulado, reequilibrar os percentuais da carteira e realocar em ativos que ficaram para trás durante esse mesmo período.
Gestão de risco não é fraqueza, é o que separa o investidor que performa bem no longo prazo daquele que oscila junto com o mercado.
A PRIO continua sendo uma das melhores empresas da bolsa brasileira.
Mas o bom investidor não se apaixona pela ação, ele respeita o preço, cuida do portfólio e toma decisões com a cabeça fria.
Se você quer saber como rebalancear a sua carteira de investimentos corretamente, agende gratuitamente uma reunião com um dos nossos consultores.
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