Ele recebeu uma mensagem no grupo de sócios:
“O imposto sobre herança vai mudar. Melhor correr com a holding.”
Naquela noite, abriu a planilha do patrimônio. Colocou tudo na mesma conta: os imóveis, a participação na empresa, os investimentos, a previdência.
Era um número que dava orgulho.
Mas a pergunta que ficou não era sobre a holding.
Era outra, mais importante, e que ele nunca tinha parado para responder com calma: se algo acontecesse amanhã, quanto daquele patrimônio chegaria de fato à família? E em quanto tempo?
A resposta não cabe em uma alíquota.
O que chega é o que você construiu, menos impostos, custas e honorários. Menos também aquilo que fica travado no inventário enquanto a família precisa de caixa.
Porque o “quanto” importa. Mas o “quando” importa tanto quanto.
Sobre o imposto, o que mudou é isto: a reforma tributária e a LC 227/2026 consolidaram um novo caminho para o ITCMD, com progressividade obrigatória e maior atenção ao valor de mercado dos bens e direitos transmitidos.
Na prática, o impacto depende da lei de cada estado.
Em São Paulo, por exemplo, a regra vigente ainda é a alíquota única de 4%, embora existam projetos para tornar a cobrança progressiva. Se novas regras estaduais forem aprovadas em 2026, a tendência é que só produzam efeitos a partir de 2027, respeitados os prazos mínimos exigidos pela legislação.
Ou seja: pânico não ajuda.
A transição dá tempo para organizar a casa antes.
O problema é que, na vida real, muitas famílias fazem o contrário. Só descobrem tudo de uma vez, no pior momento.
O patrimônio existe, mas cada ativo segue um caminho próprio.
O imóvel depende de avaliação, documentação e consenso entre herdeiros. A empresa depende de quem continua operando. Os investimentos podem ficar aguardando o inventário. E o inventário, quando falta documento ou sobra divergência, pode se arrastar por anos.
A família herda valor, mas não herda caixa.
Despesas, impostos e padrão de vida não esperam a partilha.
Por isso, sucessão não é só imposto. É imposto, prazo, liquidez e organização.
Quando o medo da alíquota comanda a decisão, o plano costuma sair torto. Uma doação apressada pode gerar ganho de capital. Uma holding sem propósito pode virar apenas mais custo. Um seguro mal dimensionado pode não resolver o problema certo.
As ferramentas existem: holding, doação com usufruto, seguro de vida, previdência, testamento.
Mas o plano vem antes da ferramenta.
A Virada Patrimonial é o momento em que o patrimônio passa a sustentar a sua vida sem depender do seu trabalho.
A sucessão é o teste extremo da mesma ideia: o patrimônio precisa sustentar a sua família sem depender da sua presença.
O imposto responde só uma parte da pergunta.
A pergunta completa é: quanto chega, quando chega, para quem chega e com que nível de atrito?
Se essa pergunta ainda não tem uma resposta segura, o próximo passo é um diagnóstico patrimonial.
A GuiaInvest Wealth é registrada na CVM como consultora de valores mobiliários, sem produto próprio e sem acordo de distribuição com gestoras.
O diagnóstico mostra onde a sua transmissão está vulnerável: imposto, prazo, liquidez, organização ou atrito familiar.
Antes de escolher uma estrutura, é preciso entender o risco.
Sem compromisso de contratação.
Tiago Machado
GuiaInvest Wealth






